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Acabámos de ler:

Tamem digo, uma história de migrações, Jorge Pinto, ilustrações de Júlia da Costa

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     Mais um livro que me foi emprestado e que me surpreendeu. Uma homenagem à avó, que emigrou para França, ainda nova,  onde viveu em condições similares às que vemos agora em muitos bairros onde vivem os nossos imigrantes, e que quando regressou à sua aldeia natal, no norte, abriu um café/restaurante.      Ler este livro é quase como falar com o autor, o neto da avó Carmo. Começa por explicar como depois de várias tentativas frustradas, foi abandonando projetos e ideias e quase desistiu até descobrir os trabalhos de Lamia Ziadé (que apenas conheço através de algumas imagens e recensões na net). Decidiu então juntar imagens ao texto e "uns toques de história e política".     Pegamos em Tamem digo e só o pousamos quando acabamos de o ler.  Divertimo-nos e comovemo-nos ao lê-lo enquanto fazemos uma viagem no tempo, e encontramos pequenas coisas que fizeram parte do quotidiano daquela época, desde a decoração do café - e sobretudo os mosa...

Os nomes de Feliza, Juan Gabriel Vásquez (Alfaguara)

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    E mprestaram-me este livro de que não sabia a história. Não conhecia, nem sequer tinha ouvido falar de Feliza Bursztyn, uma escultora, filha de um casal judeu expatriado na Colômbia e que morreria com pouco mais de 40 anos, em Paris, onde estava exilada.     Feliza - que os pais batizaram Felicia, depois de ponderarem chamar-lhe Feigele, que em iídiche quer dizer passarinho - escolheu este nome, na adolescência, porque "era rebelde, é verdade, mas também feliz." Foi isto que a mãe escreveu sobre o nome da filha após a sua morte.     Feliza morre inesperadamente, em 1982, num restaurante em Paris, onde estava acompanhada pelo marido e mais quatro pessoas, uma das quais era Gabriel García Márquez que, poucos dias depois, publicou um artigo no qual dizia que ela tinha morrido de tristeza. Por causa destas palavras, Juan Gabriel Vásquez investiga a sua vida e explica a Pablo, o viúvo de Feliza:      "Porque morreu de tristeza (...) É is...

Vista Chinesa, Tatiana Salem Levy (Elsinore)

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      Depois de ler “Melhor não contar” não resisti a ler de seguida este livro da mesma autora. Admito que a leitura da “Vista Chinesa” tenha sido contagiada pela leitura daquele outro livro. Não é estragar o prazer de quem o vai ler, dizer que “Vista Chinesa” conta a história da violação de uma mulher jovem, e a forma como sobrevive ao horror que viveu, porque isto está escrito na parte de trás do livro.      Mas, influenciada por “melhor não contar” em que a narradora (que não conseguimos deixar de identificar com a Autora) conta que a mãe foi violada num táxi, quando era jovem, comecei por pensar que a Júlia era a mãe e que este livro era sobre o horror que a mãe tinha vivido. Horror que se tinha transmitido à filha, porque a mãe lho tinha contado, mas também pelo que a narradora considera os misteriosos processo que garantem a transmissão de acontecimentos sofridos pelos pais (“será que por terem morado nove meses na minha barriga vocês sabem que um ...

melhor não contar, Tatiana Salem Levy (Elsinore)

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     Já acabei de ler este livro há algum tempo. Mexeu comigo. É sentidamente um livro autobiográfico. Não vivenciei algumas das situações vividas pela autora, mas identifiquei-me em muitas passagens do livro/da vida dela.   Em “melhor não contar”, a autora expõe-se, contando o que nós, mulheres, habitualmente guardamos ou escrevemos ou sussurramos apenas. O conselho que lhe é repetidamente dado, é que é melhor não contar. E ela reflete sobre o silêncio das mulheres, imposto ou mesmo autoimposto. Da recusa da exposição.     No livro fala da doença e da morte da mãe, do luto, do assédio do padrasto, do aborto que sofreu. Fala disso tudo enquanto lê as cartas que a mãe lhe escreveu, as páginas do diário da mãe do tempo da sua adolescência e enquanto se interroga sobre os efeitos da escrita:     “(…) Acho mesmo que a escrita não redime, não sublima, não compensa nada. A perda dá início à escrita, mas não há o movimento contrário. Digo: es...